«Fite o céu noturno; fótons de luz entram em seus olhos e são transmutados, pelo tecido da retina, em minúsculas correntes elétricas que percorrem o nervo óptico até atingirem o tecido nervoso do cérebro. Ali, eles geram um padrão tremeluzente de disparos nervosos que percebemos como a estrela cintilante no céu lá em cima. Ao mesmo tempo, minúsculas variações de pressão, de menos de um bilionésimo da pressão atmosférica, são registradas pelos cílios do tecido celular do ouvido interno e geram sinais no nervo auditivo que nos informam que o vento assovia nas árvores. Um punhado de moléculas que flutua dentro do nariz é captado por receptores olfativos; sua identidade química é transmitida ao cérebro e nos revela que estamos no verão e que as madressilvas estão florindo. E cada movimento minúsculo do corpo, enquanto você observa as estrelas, escuta o vento e fareja o ar, é gerado pela ação coordenada de centenas de músculos.»
(Jim Al-Khalili, Johnjoe McFadden - Life on the Edge: The Coming of Age of Quantum Biology, 2014)